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domingo, 24 de abril de 2011

Domingo de Páscoa!





Maria Madalena Junto ao Sepulcro de Jesus!


Max Lucado

Festa era a última coisa que Maria Madalena esperava ver ao se aproximar do sepulcro naquela manhã de domingo. Não havia nada a comemorar em relação aos dias anteriores. Os judeus podiam festejar – Jesus estava fora do caminho. Os soldados podiam festejar – sua missão estava concluída. Mas Maria não podia festejar. Para ela, os últimos dias foram simplesmente uma tragédia.

Arte: Beto Piccolo!

Maria havia estado lá. Ouviu os líderes clamarem pelo sangue de Jesus. Testemunhou o açoite romano rasgar-lhe a pele das costas. Estremeceu quando os espinhos lhe retalharam a fronte, e chorou ante o peso da cruz.

No Museu do Louvre existe um quadro da cena da cruz. No quadro, as estrelas estão mortas e o mundo está envolto em trevas. Nas sombras encontra-se um vulto ajoelhado. É Maria. Ela apoia as mãos e os lábios de encontro aos pés sangrentos de Cristo.

Não sabemos se foi o que Maria fez, mas sabemos que poderia tê-lo feito. Ela estava lá. Estava lá para fechar os olhos dele. Estava lá.

Assim, não é surpreendente ela querer voltar lá outra vez.
Na neblina da madrugada, ela levanta-se de sua esteira, toma as especiarias e aloés e deixa a casa, passa pelo Portão dos Jardins e sobe a encosta do monte. Prepara-se para uma tarefa lúgubre. A essa altura o corpo estará intumescido. O rosto estará branco. O odor da morte será pungente.

Um céu cinzento passa a dourado enquanto ela sobe a trilha estreita. Ao contornar a última curva, ela abafa uma exclamação. A pedra da frente do túmulo está afastada.

"Alguém levou o corpo". Ela corre a acordar Pedro e João. Eles correm para ver por si mesmos. Ela tenta acompanhá-los,  mas não consegue.

Pedro sai do túmulo aturdido e João sai crendo, mas Maria simplesmente permanece em frente à estrada, chorando. Os dois homens vão para casa e deixam-na sozinha com sua dor.

Mas algo lhe diz que ela não está sozinha. Talvez escute apenas seu próprio coração dizer-lhe que dê uma olhada por si mesma.

Qualquer que seja a razão, ela o faz. Abaixa-se, enfia a cabeça pela entrada entalhada e espera que seus olhos se acostumem com a escuridão.

- Por que choras? - Ela vê o que parece ser um homem, mas branco - radiantemente branco. Ele é uma das duas luzes em cada ponta da laje vazia. Duas velas ardendo sobre um altar.

- Por que choras? - Uma pergunta incomum para ser feita num cemitério. De fato, a pergunta é indelicada. Isto é, a menos que o interrogador saiba alguma coisa que o interrogado não saiba.

- Levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.

Ela ainda o chama de "meu Senhor". Pelo que podia saber, os lábios dele estavam silenciosos. Pelo que podia saber, o corpo dele havia sido removido por ladrões de túmulos. Mas a despeito disso tudo, ele ainda é seu Senhor.

Tamanha devoção comove Jesus. Faz com que ele chegue mais perto dela. Tão perto que ela lhe ouve a respiração. Ela se volta e ali está ele. Ela acha que é o jardineiro.

Ora, Jesus podia ter-se revelado nesse ponto. Podia ter chamado um anjo para apresentá-lo ou uma banda para anunciar-lhe a presença. Mas não o fez.

- Por que choras? A quem procuras? (João 20:1-18).

Ele não permite à mulher ficar muito tempo sem saber, apenas o tempo suficiente para relembrar-nos de que ele gosta muito de surpreender-nos. Ele espera que nos desesperemos da força humana e então intervém com a divina. Deus espera até desistirmos e, então, surpresa!

E ouça a surpresa quando o nome de Maria é pronunciado por um homem a quem ela amava, um homem que ela havia sepultado.

“Miriam.”

Deus aparecendo nos lugares mais estranhos. Fazendo as coisas mais estranhas. Distendendo sorrisos onde havia apenas rostos tristonhos. Colocando brilho onde havia apenas lágrimas. Pendurando uma estrela brilhante num céu escuro. Arqueando um arco-iris no meio de nuvens tempestuosas. Chamando nomes num cemitério.

“Miriam”, disse ele, mansamente, “ surpresa!”.

Maria ficou abalada. Não é sempre que se houve o próprio nome pronunciado por uma língua eterna. Mas quando ela ouviu, reconheceu. E quando reconheceu, reagiu corretamente. Ela o adorou!




Por Seis Horas de Uma Sexta-feira


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