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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Dia Nacional da Consciência Negra!


Somos todos Palmares!





Por Luis Gustavo Reis, professor de História do Brasil.

A escravidão foi um dos períodos mais nefastos da história do Brasil. Calcula-se que desembarcaram nas Américas por volta de 10 a 15 milhões de africanos escravizados. Deste total, aproximadamente 40% vieram para o Brasil.

O trabalho dos escravizados foi utilizado em diferentes serviços, sobretudo na lavoura e nas tarefas domésticas da Casa Grande, além disso, exerciam variadas funções nas áreas urbanas. Todavia, os cativos não aceitaram pacificamente a escravidão e resistiram cotidianamente. Mesmo ameaçados pelo chicote ou vigiados pelos olhos “atentos” dos feitores, os escravizados incendiavam plantações, agrediam senhores e feitores, além de promoverem constantes rebeliões.

O regime escravista não se baseava apenas na violência. Uma teia de negociações pautava as relações entre senhores e escravizados. Quando a negociação falhava ou era desrespeitada por uma das partes, abriam-se os caminhos da ruptura.

Durante anos a fuga e a formação de comunidades de fugitivos (mocambos e quilombos) caracterizou, por parte dos escravizados, a ruptura mais recorrente e decisiva. Os cativos fugiam por diversos motivos: seja pelos castigos físicos, separação de familiares ou em busca da sonhada liberdade. Uma das comunidades de fugitivos mais duradouras foi Palmares (1597-1694). Formado por vários mocambos no nordeste açucareiro, entre as regiões de Pernambuco e Alagoas, Palmares representou uma esperança de liberdade aos escravizados e um terrível pesadelo para senhores e autoridades coloniais durante quase um século.

A figura mais conhecida e polêmica de Palmares é Zumbi. Pouco se sabe sobre sua história, principalmente por conta dos mitos que foram criados a seu respeito. Grosso modo, Zumbi descendia dos guerreiros imbangalas ou jagas de Angola e teria nascido no começo de 1655, nos mocambos palmarinos. Capturado no mesmo ano de seu nascimento, fora criado por um padre português durante um período, até fugir e regressar novamente a Palmares.

Com a morte de Ganga-Zumba em 1678, Zumbi assume a liderança de Palmares e logo empreende uma série de medidas para se consolidar. Entre essas medidas destacam-se a fortificação dos mocambos e os ataques sistemáticos a plantações e povoações vizinhas, na busca de escravos, armas e munições.

Uma série de expedições foram organizadas para destruir Palmares, porém todas elas derrotadas num primeiro momento. Entre os anos 1692-1694, lideradas pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, foram feitas novas ofensivas contra Palmares. Após resistirem durante meses, os palmarinos sucumbiram diante das forças escravistas. Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, teve sua cabeça decepada e enviada ao Recife. Enfiada em uma estaca e exposta em praça pública, tinha como objetivo servir de exemplo aos demais escravizados que ousassem se rebelar.

Após a morte do rebelde nasceu o mito e Zumbi passou a inspirar uma série de movimentos sociais e artísticos ao longo da história do Brasil. Foi resgatado pelos abolicionistas na segunda metade do século XIX, tornou-se símbolo da luta dos negros contra a dominação escravista, embora nada indique que entre os objetivos de Palmares estivesse abolir a escravidão.

Durante o século XX, Zumbi foi tema de cinema, peças de teatro, enredo de escola de samba, movimento guerrilheiro e de instituições públicas e privadas. Em 1978, em substituição ao 13 de maio (Abolição da escravidão), o Movimento Negro Unificado (MNU) elegeu o simbólico 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra, homenageando umas das figuras mais destacadas da história do negro no Brasil.

A história de Palmares e dos quilombos brasileiros ainda tem muito a nos dizer. Rememorá-las neste mês da Consciência Negra é salutar, sobretudo em uma sociedade manchada pelo preconceito, pela hipocrisia e pelas odiosas manifestações de racismo que pipocam em todos os rincões deste país.

Neste sentido cabe se perguntar qual sociedade queremos. Uma sociedade mais justa e fraterna, onde todos vivam integralmente sua cidadania ou um país viciado em estigmatizar pessoas de acordo com a cor da sua pele? Enquanto não resolvermos essa questão, estaremos condenados a girar em falso, estacionados no comodismo. Se esconder atrás do véu da democracia racial ou transferir a responsabilidade para o Estado é, no mínimo, esquivar-se da responsabilidade. É necessário discutir a questão com seriedade e comprometimento, só assim será possível nos desgarrarmos dos enferrujados grilhões que nos atam ao racismo.

Para saber mais: REIS, João José & GOMES, Flavio dos Santos (orgs.) Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.




Daqui: http://www.cursinhodapoli.net.br/web/servicos/somos-todos-palmares/



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